É quinta-feira, dia de tomar a primeira e escutar o melhor da música brasileira.
O cantor e compositor Raimundo Sodré é um dos mais injustiçados artistas do Nordeste. Teve sua carreira de certa forma abortada. Depois de conseguir um estouro nacional, em 80, com a música A Massa e LP homônimo, não emplacou mais nenhuma. Assim, diluiu sua projeção dentro da Música Popular Brasileira (MPB). Apesar de ter lançado mais dois trabalhos de consistência nos dois anos seguintes, o impacto nunca foi o mesmo. Com sua música recheada de nordestinidade, principalmente a derivada da música do Recôncavo, como chulas e sambas de roda, Raimundo Sodré fez uma música de cunho popular, porém, recheado de uma lírica de primeira qualidade.
O poeta do Recôncavo nasceu em 20 de julho de 1948, na cidade de Ipirá, zona limítrofe entre o Sertão e o Recôncavo baiano. Criado entre esta cidade e Santo Amaro da Purificação (Recôncavo), o autor e compositor Raimundo Sodré desde cedo já bebia na fonte do imenso caldeirão cultural da região onde cresceu. Antes de despontar para o Brasil com o hit A Massa, terceiro lugar no Festival MPB, seu caminho não foi fácil. Largou a Faculdade de Medicina em 1972 e foi morar em São Paulo, vivendo de aulas de violão e shows e m barzinhos. Pelejou como vendedor de gravador, trabalhou em financeira. A carreira só começou a engrenar quando passou a fazer algumas apresentações em casas noturnas de São Paulo, como na extinta Partido Alto.
Honrando sua forma de compor como violeiro na composição e no canto, Sodré é um seguidor de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, “chegando junto dos mestres de chula” da Bahia, mas tem uma especial atenção com a base rítmica da sua música. Sua formação musical inclue um contato íntimo com a percussão, uma vez que a mãe e a tia participavam dos ritos de Candomblé e, desde os sete anos, Sodré aprende a tocar os três tipos de atabaques: o lê, pi e rum, do mais agudo ao mais grave, respectivamente, dentro da cadência para a evocação dos orixás.
Acesse: http://www.raimundosodre.com.br/