Amanhã( 28) às 19:30 na TV CULTURA, o programa Regatão Cultural, vai apresentar um especial sobre a vida e morte do Deputado João Batista, uma das lideranças do PT nos anos 80, foi morto covardemente a tiros.
“Foi assassinado em 6 de dezembro de 1988. João Carlos Batista, deputado estadual paraense, foi morto nessa data em frente de sua família, a esposa, a companheira Sandra Batista, e seus filhos, então crianças ainda na tenra idade. Dina, a filha do meio, inclusive chegou a ser baleada na perna, além de ver o pai ser assassinado covardemente. João Batista, como era conhecido, nasceu no interior de São Paulo, mas ainda adolescente foi viver na cidade de Paragominas, interior paraense. Sua família era formada por camponeses sem terra, que foram para o norte em busca de terras. Nessa cidade paraense, ainda jovem, integrou-se à luta por melhores condições de vida para o povo da região. Com muitas dificuldades, formou-se em Direito pela Universidade Federal. Foi o primeiro presidente do Diretório Acadêmico do antigo CESEP, atualmente UNAMA. Como líder estudantil esteve integrado à reconstrução da UNE, em 1979, atuando como membro da Comissão Nacional pró-UNE. Dirigiu uma das primeiras greves estudantis naquele estado após a ditadura, paralisando as atividades na instituição onde estudava. Concluiu o curso de direito no final de 1980. Como advogado voltou a sua militância para a luta dos trabalhadores. Advogou para vários sindicatos de trabalhadores urbanos em Belém: rodoviários, açougueiros, garçons, feirantes e orientou inúmeras lutas de comunidades urbanas. Ligou-se ainda a vários grupos de trabalhadores sem terra e posseiros ameaçados de expulsão por grileiros e latifundiários. Foi um período de muitas conquistas. O Brasil entrava em uma nova fase da história nacional, começava a findar a ditadura militar. Quando ocorreu a primeira eleição para governadores dos estados brasileiros. O PDS, sucedâneo da Arena foi derrotado nacionalmente. O PT nessa época começava sua trajetória de conquistas e vitórias. Quando Batista se candidatou pela primeira vez para deputado estadual, mas não foi eleito. Nos anos seguintes, aprofundou sua ligação com as lutas dos trabalhadores rurais, ampliando sua inserção no estado. Assumiu a coordenação da defensoria pública do Pará e voltou ao trabalho para apoiar a luta em defesa da reforma agrária. Em 1986 elege-se deputado estadual. Sua atuação continuou, principalmente, vinculada à luta pela reforma agrária e apoiava as lutas dos trabalhadores contra a violência e pelos seus direitos à terra para trabalhar. Sua passagem na assembléia legislativa foi marcada por intensas mobilizações de trabalhadores. Logo após a eleição municipal de 1988, no dia 6 de dezembro, quando iniciava-se a discussão na Assembléia Legislativa sobre o Regimento Interno da Constituinte Estadual, fez um discurso denunciando ameaças que havia recebido no final de semana anterior. Mais uma vez pediu segurança. No final da sessão dirigiu-se para sua casa acompanhado de sua família, quando ao chegar no prédio é recebido por várias balas assassinam, que o fuzilaram com dois tiros mortais. Renata, Dina e João Carlos, seus filhos, presenciaram tudo, acompanhados pela mãe. Decorridos 19 anos, o único deputado estadual assassinado no Brasil após o fim da ditadura não pode ser esquecido. No dia 06 de dezembro, além de lembrar de forma especial de João Carlos Batista, quero também homenagear outros que lutam pela liberdade que caíram nessa caminhada: Irmã Doroty, Padre Jósimo, Gabriel Pimenta, Paulo Fonteles, Chico Mendes, Família Canuto, Benezinho, Gringo, Virgílio Quintino da Silva Lira, Salvador Alves dos Santos, Irmã Adelaide e tantos outros que deram sua vida para construir um Brasil melhor. Vida longa à memória dos que lutam por justiça. “
Trecho do discurso do Deputado Paulo Rocha/PT, na Câmara , por ocasião dos 19 anos de morte do Deputado petista.