Em São Sebastião da Boa Vista não há água tratada e no posto de saúde só há 1 médico para os 22 mil habitantes

 Aos 96 anos, Iracema Nahum distribui convites para um café a quem passa pela sua porta em São Sebastião da Boa Vista. A casa de madeira, comum na cidade, é convidativa. Quase sem móveis, apenas com redes para dormir, é fresca e um abrigo valioso contra o sol forte da rua.
 Iracema diz que viu muitas mudanças nas últimas décadas por ali. Estudou até a 2.ª série, mas seus 11 filhos foram mais longe e são professores, advogados e vereadores. “Minha mãe era pobre, meu pai pobre era. Mas trabalho não é desprezo”, diz ela, que fez de tudo para viver.
 O filho Humberto, de 50 anos, colhe o açaí no quintal, também comum nas casas. “Aqui consigo quase 10 litros, é só para nós”, diz ele, que instala antenas de TV da Sky.
Como em praticamente todo o Pará, o açaí é presença forte no cardápio.

 Dificuldades

 Mas nem tudo é açaí. Sem água tratada, é preciso fazer um longo processo de filtragem. O posto de saúde tem apenas 1 médico para os 22 mil habitantes da cidade e são poucas as opções de exames. “Temos consultório odontológico, mas a cadeira quebrou e está sem material”, diz Elma Campos, uma das três enfermeiras. 
A pesca é importante, mas a pujança comercial se dá na feira de rua, que vende de tudo, de carne a galinha fresca, CDs e roupas. Nas ruas, a bicicleta tem perdido espaço para as motos e só há quatro carros.
Os barcos ainda são os campeões – o trânsito nas águas é intenso entre vilas e cidades.
 À noite, o agito é na praça. De um palco na rua, o som é o tecnobrega, típico dali – e a um volume absurdo. No tablado, a faixa lembra onde você está: São Sebastião da Boa Vista, a Veneza de Marajó.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,na-veneza-de-marajo-falta-medico-e-sobra-acai,918490,0.htm

NOTA DO BLOG
Excelente matéria de um veiculo nacional. Mais uma vez o Brasil e o mundo sabem como  vive o povo boavistense,  a mercê do descaso com a saúde pública e com o saneamento.
Povo humilde e hospitaleiro, porém, abandonado