A carência de médicos é uma realidade para a maioria dos municípios paraenses, principalmente, na região do Marajó. No município de Chaves, por exemplo, dois médicos visitam a cidade, individualmente, a cada 15 dias para prestar atendimento à população.
Os problemas, segundo o secretário municipal de Saúde, José Raimundo, são vários. O primeiro é que não há programas de saúde no município, porque não há corpo profissional para conduzi-los. O segundo é que os dois médicos não conseguem atender toda a população que acampa em suas portas esperando consultas. E o terceiro maior problema é o fato de que os dias de trabalho do cirurgião e do clínico custam ao município quase R$ 40 mil, ou seja, praticamente tudo que é repassado ao município pelo Governo Federal para a manutenção do sistema de saúde. ‘E graças a Deus que nós temos dois médicos que vêm ao município. Em outras cidades nem isso tem’, disse o secretário.
 Chaves é um dos 62 municípios do Estado que pediram ajuda ao Ministério da Saúde para atrair médicos recém-formados através do Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab). Trata-se de um concurso no qual os aprovados atuarão por 12 meses na área de Atenção Básica, custeados com um salário de R$ 2.384,82 pelo órgão. O Provab foi lançado em dezembro do ano passado e tem a intenção de incentivar médicos a irem trabalhar em regiões de extrema pobreza e em municípios com carências de profissionais. O problema é que das 7.193 vagas abertas para médicos, no último concurso, apenas 1.460 mostraram algum interesse em aceitar a proposta (20% da demanda).

Dentre os profissionais que residem no município de Chaves, há apenas enfermeiros, que ficam extremamente sobrecarregados com o número de pacientes.
E os enfermeiros não têm como tratar todos os problemas sem o auxílio dos médicos. O secretário, entretanto, contradiz a Secretaria de Saúde do Estado, que credita os problemas de falta de médicos no interior à inexistência de estrutura. ‘Não falta estrutura, falta uma política de Estado que garanta a proteção para médico de carreira no Sistema Único de Saúde (SUS).
Não há política de apoio. E os recém-formados não querem trabalhar no interior, eles preferem fazer uma especialização nas capitais’, explica José Raimundo.

Para a secretária municipal de Saúde do município de Afuá, Ana Cláudia, além da falta de médicos e políticas públicas para atraí-los ao município, o problema é o deslocamento até a cidade. De acordo com ela, para entrar e sair do município é preciso contornar o Estado por Macapá (AP). ‘Então, nenhum médico quer enfrentar essa viagem sem um salário alto e, quase sem médicos especialistas, os cidadãos do município vão buscar o atendimento adequado no Amapá.
Nós precisamos de pelo menos mais cinco médicos que morem aqui’, comenta a secretária. Para resolver esse problema, ela sugere um convênio com as universidades, para que os residentes viajem e passem pelo menos seis meses em municípios menores, ‘pelo menos para que eles conheçam a realidade do Estado’, diz Ana Paula. ‘Aqui nós temos, além de poucos médicos, uma verba muito pequena para dar conta de toda a rede, não tem como pagar médico em visita e dar estrutura à saúde com o dinheiro que recebemos’, conclui

Fonte: ORM/MOL