No último dia 24 de fevereiro o DIÁRIO denunciou um suposto esquema de concessão de empréstimos irregulares na prefeitura de Curralinho, na região do Marajó, que deveria atingir apenas funcionários efetivos da prefeitura, mas beneficiam servidores temporários e outras pessoas sem qualquer vínculo empregatício com o governo municipal. A Câmara Municipal chegou a formar uma comissão para apurar o caso, mas passados dois meses da revelação das fraudes, nada foi feito e comenta-se na cidade marajoara que tudo pode acabar “em pizza”.
Todo o esquema é baseado na falsificação de documentos e o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a milhões de reais. As irregularidades teriam iniciado no segundo semestre de 2009, primeiro ano do mandato do prefeito Miguel Pedro Pureza Santa Maria, tendo como então secretário de Administração Lucivaldo Rodrigues Nunes.
Lislandro Palheta de Sales, servidor público da secretaria municipal de Educação de Curralinho e integrante do Conselho do Fundeb no município, revela que a comissão criada na Câmara para apurar o caso é composta apenas por aliados do atual prefeito. “Essa comissão é composta pelos vereadores Jamil Martins, Eloi Azevedo “Sapinho” e “Portuga”, que rezam pela cartilha do prefeito Miguel Santa Maria. Nada foi investigado”, denuncia.
Ele diz que na próxima sexta haverá uma sessão especial onde a comissão apresentará seu relatório. “Soubemos que esse relatório pedirá o arquivamento do caso alegando falta de provas. Temos vários documentos que comprovam o esquema, tendo como base relações de empréstimos divulgados pelos Bancos à prefeitura. Já enviamos toda essa documentação ao Ministério Público. As fraudes continuam ocorrendo. Estamos programando uma mobilização na porta da Câmara na sexta”, assegura.

Educação 

A educação no município de Curralinho, na região do Marajó, vai de mal a pior. Professores promoveram na quinta e sexta-feira da semana passada uma paralisação geral que parou cerca de 80% das escolas no município.
A greve de dois dias foi motivada por vários fatores, entre os quais a falta de merenda escolar, falta de material de expediente e atraso no pagamento do abono de 2011. “Houve uma sobra de R$ 800 mil e o prefeito nos garantiu que pagaria em três parcelas, mas até a paralisação só havia pago uma”, denuncia Lislandro Palheta.
Na sexta, após a pressão do funcionalismo, a prefeitura liberou o pagamento da segunda parcela do devido.
A situação é tão crítica que até o pagamento dos barqueiros que transportam alunos para a escola está parado. O atraso até semana passada chegava há três meses. “Os barqueiros pararam de transportar os alunos e a prefeitura pagou um mês”, diz Lislandro, que também acusa a prefeitura de não fazer a prestação de contas ao conselho dos recursos do Fundeb de 2011 e 2012.
Sales assegura que os servidores da Educação continuam mobilizados em Curralinho e comemora a adesão ao movimento. “Só não conseguimos parar nas escolas onde há contratados, que continuaram trabalhando com receio de serem demitidos”.
Fonte (Diário do Pará)