A indicação do novo superintendente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa ) em Mato Grosso do Sul acirrou ainda mais os ânimos na já tumultuada relação entre PMDB e PT no governo Dilma Rousseff. A nova crise foi instalada depois que o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, atendeu ao pedido do senador Delcídio Amaral (PT-MS) para nomear o petista Pedro Teruel, no lugar de Flávio Britto Neto (PMDB), conforme antecipou ontem a coluna Panorama Político, do GLOBO.

Britto era da cota do governador André Puccinelli (PMDB), e, segundo o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), havia um compromisso assumido pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) para não retirá-lo do cargo. O peemedebista atendia a cota de parlamentares da legenda no Mato Grosso do Sul.

Relação difícil com o governo
Henrique Alves, em pé de guerra com o Planalto depois da revelação, feita pelo GLOBO, que auditoria da Controladoria Geral da União (CGU) apontou prejuízo de R$ 312 milhões no Dnocs – comandado por seu apadrinhado Elias Fernandes – afirmou que, a cada dia, a relação com o governo fica mais difícil:
– Não tem mais conversa com a Ideli. Ela assumiu o compromisso de mantê-lo no cargo e não honrou esse compromisso – disparou o peemedebista.

As superintendências da Funasa, alvo de disputas ferrenhas entre os partidos por causa do orçamento polpudo e da chamada capilaridade nos municípios, estão agora divididas entre PT e PMDB. Desde que o Ministério da Saúde foi assumido pelo petista Alexandre Padilha, o PMDB perdeu logo em 2011 a presidência da Funasa, e os petistas vêm ampliando seus espaços também nos estados. No Pará, por exemplo, a indicação do PT, desde que a Presidente Dilma assumiu o governo é a do Médico Carlos Martins, para substituir à Florivaldo Vieira, apadrinhado do Senador Jader Barbalho, o que ainda não foi concretizado. Atualmente, o PMDB detém seis superintendências, contra cinco do PT.
Senador nega acordo sobre manutenção
O senador Delcídio Amaral (PT-MS) minimizou a queda de braço com o PMDB, e se mostrou surpreso com o impasse gerado pela substituição na Funasa. De acordo com ele, nunca existiu acordo com o PMDB para a manutenção de Britto.
– Desde o começo de 2011, a indicação de Turiel já era tratada. E ele está respaldado pela bancada do PT. É um homem qualificado. E nunca existiu acordo com o PMDB sobre isso – afirmou o senador petista.
A ministra Ideli Salvatti foi procurada para falar sobre o conflito entre os dois principais partidos da base, mas não retornou as ligações.
(o Globo, 27/01/2012)