O abuso sexual contra crianças e adolescentes dos rios do Pará, não é de hoje. Lembro-me bem, quando no início dos anos 90, trabalhava em embarcações de médio porte no transporte de cargas para o Amapá, que era corriqueira a atividade destas crianças nos rios e nos portos de Breves/Pa. Esta cidade que é o “meio” da viagem Belém/Macapá, era o ponto de reabastecer de água potável, fazer alguma manutenção no motor, comprar alimentação e etc. Com isso permanecia-mos até 4 horas neste município. Eram muitas as meninas que se aproximavam da embarcação para oferecer “seus serviços” em troca de alguns trocados ou alimentação ou óleo diesel. Nos rios Tajapuru e Buiuçu, era freqüente a qualquer hora do dia a abordagem destas meninas, que em seus casquinhos de madeira, laçavam os pneus de proteção da embarcação em com enorme habilidade subiam no barco em busca de algum alimento ou vender algum produto como: camarão, castanha, palmito.
Vale ressaltar que, a produção madeireira na época tava a todo vapor, a exportação de palmito estava na sua melhor fase, com diversas empresas do sul e sudeste instaladas em Breves, é lógico que o problema da prostituição infantil no Marajó se agravou com a queda da produção madeireira e a extinção da indústria do palmito na região, porém, o problema já estava lá há décadas em ninguém tentou combater, agora só nos resta “tentar remediar”.