Dois recém-nascidos vindos do município de Curralinho com sérios problemas foram recusados pela Santa Casa de Misericórdia, que, ontem, pela manhã. Segundo um assessor da prefeitura de Curralinho, Henrique Salgado, nem médicos e nem enfermeiros olharam para as crianças, que correm risco de morte e ainda assim foram obrigados a deixar o prédio do hospital

Um dos bebês nasceu de parto normal por volta das 10h30 da última terça-feira. A mãe, Idarlene Carvalho, de 18 anos, diz que o parto aconteceu tranquilamente, mas o bebê ficou com o corpo todo roxo e chegou a ter convulsões. ‘Estou com medo dele morrer’, lamentou. O segundo bebê nasceu na última segunda-feira, também em Curralinho, e apresentou sérios problemas respiratórios. A mãe, Maria Rosiane, conta que o bebê não mama desde que nasceu e nem chora. ‘Ele não tem forças para mamar, não chora, não faz nada. Está assim desde que nasceu’, diz a mãe.
A médica Laura Pinho, que prestou os primeiros atendimentos aos dois bebês(ainda em Curralinho), diz que o caso deles é grave. ‘Um deles não tinha nenhum reflexo e precisou ir para o oxigênio. Houve momentos em que ele não respirava. Já o outro bebê, que apresenta o corpo arroxeado, nasceu bem, mas horas depois ele apresentou uma leucocitose alta e desenvolveu sérios problemas de coagulação. Nós não temos suporte no hospital para tratar bebês nessas situações. Somente a Santa Casa poderia atendê-los’, disse a médica. Mães e bebês saíram de Curralinho na noite de quarta-feira e viajaram, de barco, cerca de 12 horas até Belém.
A secretaria de saúde de Curralinho alega, que a recusa dos pacientes é por motivação política, pois o prefeito de Curralinho é do PSDB.
O problema com crianças doentes oriundas dos municípios do marajó, só cresce.
Se o hospital regional de Breves já estivesse em operação, estes problemas seriam amenizados.