Chaves, cidade da Ilha do Marajó, parece ter saído de uma telenovela. Com suas tramas, seus vilões, com seu povo sofrido, com seus problemas peculiares e acontecimentos bizarros, que parecem que só ocorrem em lugares como esse, esquecidos pelo poder público e desprovidos de mentes capazes de lutar por seus interesses. Distante 300 quilômetros da capital, até meados de 2007, parecia uma cidade fantasma. Desconhecida por muitos, tornou-se alvo de políticos e de políticas inescrupulosas, de corruptos famigerados que sugaram o quanto puderam a população, deixando um atraso social de mais de 253 anos. Quantas famílias miseráveis ficaram carentes de remédios, de alimentação, de transporte, de educação? Quantos sonhos deixaram de ser sonhados, pois nem sonhos nossas crianças tiveram a ousadia de tê-los! Quais bons exemplos essa geração recebeu? O município de Chaves não tem ruas,não tem saneamento,água potável. Saúde e Educação não servem nem como comparativos a países subdesenvolvidos da África.O IDH(Índice de Desenvolvimento Humano) é comparável aos países em guerra.

E isso acontece aqui do lado, tão perto e tão longe… Que bons exemplos nossas crianças receberam? Por que Chaves não tem delegado? Por que não tem Defensoria Pública? Por que Chaves não tem médico permanente? Por que juiz e promotora não moram em Chaves? Por que grande parte do município vive às escuras? Por que a população é humilhada pelos desmandos daqueles que se acham donos da pobre cidade? Por que a população é muda? Por quê? A resposta é… porque ninguém ama Chaves e assim ninguém faz nada, pois quem manda é a política do descaso em que só se conjuga o verbo fingir: eu finjo que faço, tu finges que fazes…

Daniel Vieira Correa
Professor de Língua Portuguesa