Publicação é uma coletânea de duas obras em cordel escritas pelo autor

O escritor e poeta, Antônio Juraci Siqueira lança amanhã, 1º de fevereiro, o livro “O Chapéu do Boto e o Bicho Folharal”, no Instituto de Artes do Pará (IAP), às 19h. Com lançamento pela Editora Paka-Tatu, a obra ganhou o Prêmio Mais Cultura de Literatura em Cordel 2010, edição “Patativa do Assaré”. O valor do livro, no dia do lançamento, terá o preço simbólico de R$ 5.

O livro é uma coletânea de duas literaturas em cordel escritas por Juraci. A primeira “O Chapéu do Boto”, foi lançada originalmente em 2003, em quadrinhos, com desenhos de Waldir Lisboa, e este ano está sendo reeditada na França, pela professora Ana Daldibon, como base de sua dissertação de mestrado. Também ganhou em 2010 o concurso de Poesia Popular, em Maranguape, no Ceará. Já o “Bicho Folharal”, também foi lançado na mesma época.

O escritor conta que sua obra é voltada para jovens e crianças, o que não é muito comum no mundo da literatura em cordel. “O cordel foi o gênero que me iniciou na literatura, lia muito quando morava no interior. Tive a iniciativa de voltar as minhas criações para o público infanto-juvenil, porque quase não fazem obras desse tipo para esse público”, comenta Juraci.

Ele explica que o novo livro, também tem um caráter educativo. “Os animais que aparecem no ‘Bicho Folharal’, são da fauna brasileira, e resolvi colocar um glossário ao final do livro explicando sobre cada um desses animais. E no ‘Chapéu do Boto’ tive o cuidado de preservar o boto na história, já que no conto original ele morre, e isso é um final muito triste para uma criança”, explica.

Com mais de 80 títulos individuais publicados, o marajoara Juraci Siqueira, 63 anos, nasceu no município de Afuá, as margens do rio Cajary, e lá começou a ler os grandes mestres da literatura de cordel. Já tem mais de 30 anos de carreira publicando contos, crônicas, poesias, folhetins, e outros gêneros. Além disso, colabora com jornais e revistas e conta com aproximadamente 200 premiações literárias, de concursos nacionais e locais.

CORDEL

Com o nome originário de Portugal, onde eram expostos para venda, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes, o cordel ou também chamado de folhetim, ficou mais conhecido no Brasil através da Região Nordeste. A modalidade literária é conhecida pelo linguajar despreocupado, regionalizado e informal utilizado para a composição dos textos publicados geralmente em livretos.

Na Região Amazônica, a literatura chegou pelas mãos do nordestino, na época do ciclo da borracha. Alguns nomes de cantadores e poetas populares são conhecidos da época, como Antonio Gonçalves da Silva, conhecido como Patativa do Assaré, Silvino Pirauá, Firmino Texeira do Amaral, Chagas Batista e outros. A editora Guajarina foi importante para a expansão do gênero na Região Norte, tendo como proprietário o pernambucano Francisco Rodrigues Lopes.

Para o autor Antonio Siqueira, existem hoje muitos poetas que representam bem a literatura de cordel na região, como Adalto Alcântara, Heliana Barriga e João de Castro.

Serviço:

Lançamento do livro “O Chapéu do Boto e o Bicho Folharal”

Amanhã (1º de fevereiro), às 19j

Local: Instituto de Artes do Pará (IAP) – Praça Justo Chermont ao lado da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.

Preço do livro no lançamento: R$ 5

Fonte: ORM