No última dia 16/07 o escritor paraense, marajoara nascido em ponta de Pedras, Dalcídio Jurandir, desaparecia no Rio de Janeiro. E há exatamente 31 anos (26/06/79) foi publicado no Jornal do Brasil, uma crônica dedicada a ele, escrita por José Montello.

“O romancista Dalcídio Jurandir, que há poucos dias desapareceu em silêncio, com a simplicidade e a discrição de seu feitio, faz parte agora do meu patrimônio de saudades. Amalgamada às boas recordações de minha vida, a sua lembrança perdurará comigo….
Há amizades que não reclamam a frequência do convívio. Nem sequer necessitam da breve palavra ao telefone. Os encontros espaçados, sem qualquer premeditação, bastam a entretê-las. A afinidade perdura em cada um dos amigos. Não está à vista, com as exterioridades efusivas, mas subjacente, quase escondida. É silenciosa e firme.”
Embora fosse diferente a nossa concepção do mundo e da vida, pude entender-me perfeitamente com Dalcídio, e a virtude era dele: sabia ser extremamente polido, com um requinte de educação que me impressionou. O caboclo magro criado na Ilha do Marajó em contacto com a vida primitiva, nascera exemplarmente civilizado”.